8.5.09

Geraldo de Barros, o artista na fábrica


Ontem fui ao Sesc Pinheiros para ver a exposição sobre Geraldo de Barros e também para assistir a uma mesa redonda "Geraldo de Barros: arte, design e contemporaneidade". Eu cresci ouvindo a minha mãe falar com orgulho que os móveis da nossa casa eram da Hobjeto, mas nem imaginava que por traz desses móveis bonitos dos anos 70 estava o próprio Geraldo de Barros, fundador da fábrica e criador dos móveis modernos e modulares.
foto Geraldo de Barros
Mais interessante ainda foi saber da participação do artista na Unilabor, uma comunidade de trabalho operário, fundada pelo frei dominicano João Batista Pereira dos Santos, em São Paulo. Inspirada pelas experiências de comunidades cristãs francesas e pelo movimento religioso Économie et Humanism, a fabrica existia usando as ferramentas do capitalismo e a filosofia comunitária do socialismo. A Unilabor funcionou entre 1950 e 1967, uma associação entre os artesãos marceneiros e serralheiros e o artista Geraldo de Barros, que desenhava os móveis. A fábrica era gerida pelos próprios trabalhadores e viabilizava não apenas o ganha-pão, mas também o crescimento cultural e artístico de cada um.

foto German Lorca
Geraldo de Barros criou móveis modulares, que eram combinados e montados pelo consumidor a partir de um catálogo na loja. Mas não era só o design que era moderno... a fábrica era um centro de apoio às famílias dos trabalhadores, possuindo até, uma classe de ajuda pedagógica, para complementar os estudos dos filhos dos operários.
foto Geraldo de Barros
Em 67 a Unilabor encerrou suas atividades, visto que no Brasil pós 64 não havia mais lugar para as utopias politizadas e modernistas que floresceram nos anos 40/50 no país. Da comunidade, hoje resta apenas a capela do Cristo Operário e em suas paredes figuram painéis pintados por Volpi e objetos e esculturas de tantos outros artistas da época.

Achei maravilhoso conhecer esse capítulo da história de São Paulo e de Geraldo de Barros. Para saber mais sobre a Unilabor, existe um livro publicado pela editora Senac, resultado da pesquisa do arquiteto Mauro Claro.
E para visitar a capela: rua São Daniel, 119 / na rua Vergueiro, 7.290 - Jardim da Saúde (Ipiranga).

Um comentário:

Janaina disse...

Muito legal essa história!!! Que bom que descobre maravilhas escondidas na Monstrópolis! Minha irmã caçula, Marina, acabou de se mudar pra Sampa. Espero que ela não seja engolida, mas viva de descobertas, como vc faz! Beijocas!